O sedutor- 1° parte
Não há nada em que paire tanta sedução e maldição como num segredo.
Soren Kierkegaard
Der repente o sol se escondeu por entre as nuvens, o forte vento rodopiava as folhas secas no ar, era quase noite. Ele sentado no banco do velho bosque observava admirado todos os movimentos que ela fazia. Então se afastou do seu livro (seu companheiro) levantou-se devagar se apoiando numa árvore de folhas longas.
Suas unhas riscavam fortemente o caule da árvore e ele imaginava paraísos dentro dos olhos daquela moça.
Ela fazia compras num mercadinho perto do bosque. O vermelho da maça era nítido em sua cesta, havia também algumas rosas. Ela gostava de rosas!
A garota trajava um vestido cor de areia e uma fita amarrava sua cintura, uma rosa enfeitava seu cabelo e todos os perfumes do mundo habitavam a sua pele branca, e o vento os - trazia até a ele. Inevitável foi a paixão!
Ele caminhou em sua direção tirou de dentro do bolso da sua camisa de mangas compridas de listras vermelhas, a imagem de um anjo feito de madeira. Deixou-o cair perto da moça de costas que finalizava sua compra e caminhou bem devagar.
Ela sentiu o objeto cair perto de si, e num rápido movimento o apanhou do chão, apontando-o em direção ao rapaz antes mesmo de alertá-lo de sua perda.
-Moço deixou cair seu santo!-ela prosseguiu- ainda bem que o achei a tempo.
O rapaz virou-se para ela bem devagar e aproximou-se; segurando o objeto e passando seus longos dedos sobre sua delicada mão disse:
Não é um santo!Obrigado por tê-lo encontrado. Significa muito pra mim!Em seguida retirou-se.
Ela abaixou os olhos num sinal desapontamento por não saber do que se tratava o objeto, pegou sua cesta e foi embora.
Desejo de amar é inato, mas a capacidade de amar é aprendida.
O rapaz chegou a casa e não conseguiu dormir, a moça também não. Ele ansiava que o sucesso do seu plano tivesse êxito. Ela sem saber o porque pensava nele e no” santo que não era um santo.”
Ele por alguns dias a observou enquanto fazia compras, enquanto ia parque e andava de bicicleta, enquanto ia ao cemitério e ao cinema.
Então um dia ela retornou para comprar maças e rosas no mesmo mercadinho o qual se viram pela primeira vez. Ele novamente sentou no banco do velho bosque como fazia todas as tardes de inverno. Ficava ali lendo seu livro “viajando por terras longínquas,vivendo amores e guerras” até que o vento fiel mensageiro da chuva,vinha lhe avisar que era melhor voltar amanhã.
E como um principio natural do tempo, a mesma situação nunca se repete da mesma forma duas vezes. Ainda mais quando existia um manipulador do tempo e do destino.
Ela olhava para os lados, ficou um tempo de costas para o bosque. Olhou várias vezes para o chão, mas dessa vez nada aconteceu. Então pagou a conta a senhora idosa ,pegou suas rosas e maças e partiu.Dessa vez tetricamente contava os passos a caminho de casa ,nunca foi tão difícil sair daquele lugar.
Continuou a caminhar quando de repente teve uma idéia maluca. Voltou para o pequeno comercio e perguntou à senhora idosa que lhe vendia maças e rosas se conhecia aquele rapaz de estatura média, olhos castanhos, cabelos lisos e usava óculos de lentes grossas e carregava um livro que outrora havia deixado cair um objeto o qual ela havia devolvido.
Ela mesma se surpreendeu com tantas observações a qual havia feito em tão pouco tempo, numa situação um tanto inusitada.
A velha recuperou-se de tantas perguntas lançadas e tão curto tempo, e respondeu:
-tenha calma minha filha!-acho que sei quem procuras!
-Esse rapaz o qual mencionou vem todos os dias ler seu livro nesse bosque aí em frente.
A moça respondeu à senhora idosa com olhar de desinteresse pelo local que o rapaz freqüentava todas as tarde, olhou em direção ao bosque, caminhou até ele e agradeceu a velha sem mesmo olhar para ela.
O rapaz permanecia inerte sentado no banco do bosque com os olhos fixamente voltados ao livro.
Ele havia presenciado toda a cena enquanto a moça estava no pequeno comercio. A distância não permitia que ele ouvisse o que ela falava com a velha. Mas era experiente demais para não entender.
Ela abaixou-se numa esquiva rápida passando debaixo de uma árvore de folhas longas adentrando no bosque seguindo em direção ao rapaz, que nem por um instante surpreendeu-se.
Ela estranhou tal atitude, mas mesmo assim; voltou-se para ele abaixando um pouco seu corpo em direção ao banco e perguntou:
-Eu incomodo?
Num movimento lento, ele afastou de perto de si o seu livro, olhou vagarosamente para ela e disse:
-Não! -Estava esperando você chegar.
Ela afastou-se num rápido salto, para trás, demonstrando inquietação diante da resposta do rapaz que lhe soou um tanto estranha.
Como sabia que eu viria?-disse ela, com algumas lágrimas prontas para passear sobre o seu rosto emocionado e confuso.
Ele levantou-se, devagar caminhou em sua direção e disse:
-Pedi ao meu anjo que trouxesse você.
continua...



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